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Mínimos trechos do muito que eu já escrevi sobre essa cienciazinha problemática

Março 27, 2008

Percebe-se que os momentos de auge da Geografia foram aqueles em que a diferença entre os dois tipos de Geografia (Física e Humana) era conhecido, mas os estudos eram feitos unos. Foi assim em Humboldt e Vidal de La Blache, também em Estrabão e Ptolomeu, assim como na obra de Varenius. Afirmar, portanto, que “acabou a dicotomia entre geografia humana e física”, é advogar um período de declínio, algo antinatural em relação à história da Geografia.

Um ponto sobre a relação entre a geografia humana e a geografia física: o que temos hoje é que a teorização em geografia é feita por adeptos da geografia humana, e eles não se incomodam em estabelecer objetivos e funções à Geografia que relação alguma têm com a geografia física. O motivo para esse modelo ser aceito com facilidade, porém, já está na problemática quando abordada por Varenius: a Geografia Geral (Física) era dotada de cientificidade, enquanto a Geografia Especial (Humana) era apenas uma curiosidade, por não poder ser generalizada e formar leis. O resultado dessa incapacidade que inspirava a terminologia “especial” em oposição a “geral”, porém, faz com que haja mais a se dizer sobre um determinado lugar pelo aspecto “especial” do que pelo “geral”, pois esse último poderia apenas descrever a morfologia da área, e a explicação da formação dessa morfologia caberia melhor em um trabalho expecífico de Geologia do que em uma tentativa de tratar de um lugar específico. Como há mais o que dizer pelo lado da Geografia Humana, portanto, ela domina o discurso nas obras em conjunto. Não se pode esquecer, porém, que enquanto a parte “humana” parece mais interessante e extensa, sua capacidade científica é sempre mais questionável do que a da parte “física”, constituindo-se assim uma oposição insolúvel, mas em dinâmica constante: um não pode ultrapassar o outro em importância ou negar sua legitimidade.